Baixa de juros em empréstimos bancários: INFLAÇÃO !

As notícias econômicas do momento estão focadas na baixa de juros para tomadores de empréstimos bancários. A medida foi articulada como política monetária de expansão, fazendo com que mais pessoas se sintam confiantes de tomar moeda no sistema bancário para “fazer compras” e, consequentemente, aquecer a economia que mostra claros sinais de desaceleração.
Após os bancos públicos, que iniciaram a execução da política de redução desses juros, os demais bancos privados, em vista do efeito natural da concorrência de uma economia de mercado, começam a divulgar suas novas taxas reduzidas.
Paralelamente a essa política de juros reduzidos para tomadores de empréstimos, o Governo, através do COPOM, vem periodicamente reduzindo as taxas de juros SELIC, que no final das contas reflete em uma menor remuneração para quem poupa seu dinheiro no sistema bancário.
Com isso, as pessoas acabam tendendo a retirar seu dinheiro do banco (pois não recebem bons juros) para adquirir mercadorias ou mesmo investir em outros bens, como os imóveis. Para isso, acabam optando em tomar dinheiro emprestado no sistema bancário, eis que os juros de seu empréstimo estão também mais baixos.
Aparentemente, se o objetivo é aquecer a economia, esse cenário se apresenta como adequado. Porém, os efeitos dessa política monetária não param por aí.
Como se sabe, o bem mais líquido que existe no mercado é a moeda (pode-se trocá-la imediatamente por qualquer outro bem). Sendo assim, ao existir muito mais moeda circulando no mercado, ela perde o seu valor, como qualquer outra mercadoria que exista em excesso. E essa perda de valor é impulsionada justamente porque qualquer pessoa pode ir ao banco pegá-la “quase de graça”.
Ocorre que, ao mesmo tempo em que aparece muito mais moeda no mercado, e tendo sido tomada essa medida justamente em um momento em que as fábricas não estão produzindo (estagnação da economia), o que ocorre é que as pessoas têm mais dinheiro em mãos, mas existe o mesmo número de bens para serem comprados. Assim, o efeito natural disso tudo é que os compradores se sentem muito à vontade em pagar mais moeda (que perde o seu valor) pelos mesmos bens que querem comprar. E isso tem um nome: INFLAÇÃO !

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Sobre luislicks

Advogado Tributarista e Professor de Política Fiscal, Direito Tributário e Planejamento Tributário no MBA em Controladoria e Finanças e na pós-graduação de Gestão Tributária e Riscos Administrativos da FACCAT/RS. Mestre em Economia e pós-graduado em Direito Tributário e em Gestão Tributária pela UNISINOS/RS.
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6 respostas para Baixa de juros em empréstimos bancários: INFLAÇÃO !

  1. Ronaldo disse:

    Na minha opinião poderá haver inflação, porém chegou a hora de tomar alguma medida fiscal, em função da desaceleração de nossa economia, e da crescente desindustrialização no Brasil. Ainda bem que temos taxas de juros para baixar, em prol da economia. Países da Europa, estão até com taxas negativas, não podendo tomar estas medidas em benefício de sua economia. Para eles só medidas de austeridade, como redução de despesas, aumento de impostos e tentativa de crescimento econômico. Na Itália em função destes acontecimentos a taxa de suicídios aumentou 52%, e houve um aumento generalizado na Europa. Para tentar controlar a inflação poderá ser aumentado o depósito compulsório dos bancos, ou medidas cambiais se o dólar subir muito, como a disponibilidade de dólares a venda, por parte do governo. Esta medida (baixar os juros), poderá beneficiar o Brasil, do tsunami de aplicações estrangeiras (cfe. a Pres. Dilma), em função da exagerada, emissão de euros, nos bancos europeus, com o prazo de 3 anos e juros de 1% (como medida de ganhar tempo, e ver se em 3 anos a Europa recupere sua economia, o que poderá não acontecer).

  2. luislicks disse:

    Muito bom, Ronaldo! Seu comentário é muito bom para demonstrar como a Economia é uma ciência social, talvez a mais social de todas. Veja que nos trouxeste dados inclusive sobre suicídios a despeito de uma má situação econômica.
    Por outro lado, é importante que se tenha em mente que a política de baixar os juros spread é “artificial”, pois como explicado no post “baixar os juros, estamos falando a mesma língua?” o que leva naturalmente à baixa de juros é o baixo risco para quem empresta, e no Brasil a inadimplência é cada vez pior. Por isso, medidas artificiais, como essa através dos bancos públicos, ainda podem levar à “bolha financeira” (mais ou menos como foi a bolha imobiliária nos EUA).

    Existe também um efeito chamado “armadilha da liquidez” cujo exemplo recente foi no Japão na década de 90 (talvez eu façaum post sobre esse assunto) que elimina a possibilidade de utilização de política monetária de intervenção na economia.

    Por fim, é importante ter em mente que essa medida não é uma medida fiscal. As medidas fiscais são como por exemplo a redução da tributação da folha de salários. Existem os economistas que defendem maior eficácia à política monetária e outros à política fiscal. A minha posição (baseada nas teorias) é de que exista um equilíbrio entre as duas (pesquise o assunto “curva IS-LM”, que vais gostar muito).

    Forte abraço, Ronaldo, É muito bom ver o pessoal da faculdade interessado no blog e com participações tão boas como as tuas.

    • Ronaldo Schuler disse:

      Realmente é uma maneira artificial de baixar os juros. O modo natural seriam os baixos riscos. Quanto maior o risco, mais alta a taxa de juros. A inadimplência poderá criar os “sub-primes”, como aconteceu nos EUA em 2008, com a bolha imobiliária). Porém, para que isto não aconteça, achei muito interessante a estratégia do Banco do Brasil, a título de Educação Financeira. Refere-se ao cartão de crédito conjugado ao cheque especial (cheque ouro). A fatura do cartão de crédito, tem aquele “valor mínimo”, para pagar, que correspondem a 20%. Se o cliente por 2 meses consecutivos pagar o valor mínimo e simultaneamente estiver utilizando 50% de seu limite do cheque especial; o Banco fará o seguinte: – somará o valor devedor das duas modalidades, e transformará este valor em outro contrato de crédito, para pagamento em 24 vezes, com juros de 3%. a.m., cancelando o cartão de crédito e o limite devedor do cheque especial, até a liquidação do contrato. Foram medidas como esta que faltaram nos EUA, em 2008.

  3. Ronaldo disse:

    Obrigado pelo esclarescimento: – diminuir a taxa de juros não se trata de medida fiscal e sim de política monetária. Não sei o que seja “armadilha de liquidez”, que torna impossível a intervenção governamental na parte monetária, a qual foi vítima o Japão em 1990. Porém suponho existir a possibilidade de não acontecer a baixa de juros de forma não artificial, mesmo em condições propícias, devido a comodidade dos bancos. Se estão ganhando bem e ninguém reclama, continuam como está. Por outro lado, vendo a alta tributação no Brasil, pode ter efeito, (só que deveria ser temporário), de retirar dinheiro do mercado, como o depósito compulsório dos bancos. Contemporaneamente, com sinalização de desaceleração economica no Brasil, viria a consequente recessão. Baixar juros (como medida monetária) e desonerar a tributação (como medida fiscal), são armas que tem o Brasil, para não deixar a recessão bater por aqui. Medidas que os países europeus não tem. A recessão já bateu por lá. Tem países que o percentual é bem maior, mas a média de desemprego na Europa, já ultrapassa os 12%.

  4. Diesse disse:

    Acredito que a queda na taxa de juros não possa ser um motivo de criticas ao governo, em relação a atribuição no aumento da inflação, pois os países desenvolvidos da europa possuem um índice de inflação elevada. A grande diferença esta na solidez na economia desses países , no qual não há no Brasil

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